26Abr, 2021
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Quando eu era pequena – isso ainda no século passado – aprendi na escola que o Brasil foi descoberto… Que Pedro Álvarez Cabral saiu de Portugal com sua Frota rumo…

Terra à vista…

Quando eu era pequena – isso ainda no século passado – aprendi na escola que o Brasil foi descoberto… Que Pedro Álvarez Cabral saiu de Portugal com sua Frota rumo às Índias e que no caminho os ventos trouxeram-no para um novo continente…

 

Hoje sabemos que a história não foi bem assim. Portugal foi o país das extensões marítimas depois dos Fenícios – há quem defenda que esse povo viveu por terras lusitanas em seus primórdios e com eles os portugueses aprenderam o ofício na navegação de longo curso.

 

Durante os séculos XV e XVI foram os portugueses os responsáveis pelas maiores viagens e fincaram bandeira em todos os cantos do globo. Viajaram até Ceuta e de lá mudaram totalmente a rota e a forma de visualizar o mundo da época.

Penso que os lusitanos foram os precursores da globalização mundial.

 

Ao entardecer de 22 de abril avistaram terra. Pelo cair da noite acreditaram que era uma ilha, mas apenas no dia seguinte, com o sol tropical e o calor próprios da nova nação, perceberam que haviam chegado a um novo continente. No litoral da Bahia rezaram a primeira missa.

 

Pindorama – nome dado pelos indígenas –, que significa país das Palmeiras, transformou-se em Ilha de Vera Cruz. Depois Terra Nova, Terra dos Papagaios, Terra de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz até que em 1505 passou oficialmente a chamar-se Terra do Brasil – significa vermelho ou brasa e remete a coloração do pau-brasil, árvore nativa que produzia corante e era usada para tingir tecidos.

 

Essa história de 521 anos tem sido escrita por cada um de nós. A extensão territorial de nosso país foi conquistada palmo a palmo por homens e mulheres do passado e que mantêm em nosso coração o desejo de conquista diária.

 

Nossas guerras – há quem diga que nunca tivemos uma – foram sangrentas e determinaram um povo guerreiro e astuto. O povo mais miscigenado do mundo ainda abriga em seu seio todas ou quase todas as raças, e abriga no seu ventre uma raça que sabe o que quer.

 

Paisagens que se transformam em praias azuis, montanhas de ouro, chapadas de rubis, cavernas que mexem com o imaginário. Homens e mulheres fortes que sentem o calor do sol e aquecem-se em fogueiras. Crianças que dormem com a Cuca, amam o Saci, pulam amarelinha e jogam três marias. Jovens que fazem música na periferia. Dançam na Rua. Olham para o futuro e nele acreditam…

 

Obrigada, Seo Cabral, por ter ficado perdido e ter nos descoberto…

 

Obrigada, Tiradentes, por ter lutado pela nossa liberdade…

 

Obrigada a todos os nossos heróis…

 

Obrigada a cada um de nós, brasileiros, que construímos diariamente uma nação de amor…

 

Obrigada a Nossa Senhora Aparecida que cuida desse imenso torrão!

 

Helena Fraga

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