04Nov, 2020
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Você já passou pela experiência de falar com seu filho e ter a impressão de que está falando “com as paredes”? Ou de orientar, explicar algo e pouco tempo depois…

5 passos para ser verdadeiramente ouvida pelo seu filho

Você já passou pela experiência de falar com seu filho e ter a impressão de que está falando “com as paredes”? Ou de orientar, explicar algo e pouco tempo depois perceber que “entrou por um ouvido e saiu pelo outro”? Imagino que sim!

 

Não é incomum os pais enfrentarem dificuldade na comunicação com os filhos. E com a sensação de não serem ouvidos surgem muitas emoções como frustração, raiva, insegurança, etc. Uma comunicação pouco eficiente pode prejudicar a relação familiar e causar distanciamento entre pais e filhos.

 

A comunicação que exercemos com nossos pais é tão significativa que se eu te propor para lembrar de como era esse aspecto na sua relação familiar, você certamente se lembrará. Caso tenha sido uma comunicação positiva isso pode te trazer memórias e emoções agradáveis. Caso tenha sido uma comunicação negativa (falta de diálogo, impaciência, desvalorização das emoções), isso pode te trazer memórias e emoções desconfortáveis.

 

Com isso precisamos encarar com muita seriedade a comunicação no ambiente familiar e entender que comunicações baseadas em rótulos, falta de paciência, foco maior em imposições, podem influenciar na imagem que a criança tem de si e da vivência familiar. Será que seu filho sente que ele tem liberdade para se comunicar no seio familiar? Será que há abertura para que seu filho compartilhe aspectos da sua vida sem julgamentos? Muitas vezes os pais confundem orientação com julgamento. Orientar os filhos não é a mesma coisa que julgá-los. E o julgamento afasta. O julgamento faz com que ele se perceba de modo negativo.

 

E quando me refiro a comunicação, não quero dizer somente sobre o que é verbalizado, mas também o que não é – a comunicação corporal e o clima emocional do lar também comunicam, passam mensagens. Tudo isso é comunicação e precisa ser levado em consideração!

 

Vou destacar para você 5 passos para que você possa ser verdadeiramente ouvido(a) pelo seu filho. Mas já adianto que não são práticas específicas para a criança, mas sim para você! São reflexões sobre sua forma de se comunicar que podem influenciar se seu filho está ou não absorvendo positivamente suas mensagens. Além disso, acredito fortemente que quando olhamos para nós e modificamos nosso modo de agir com os filhos estamos ensinando muito a eles.

 

Passo 1: perceba como você se comunica. Pare um pouco e reflita sobre a forma como você comumente se comunica com seus filhos. Perceba se o modo como você se comunica está alinhado com as suas intenções. Por exemplo: sua intenção pode ser de transmitir confiança, de que seu filho pode compartilhar tudo com você; mas reflita se suas ações transmitem tal abertura ou não. Você pode perceber que você tende a não ter paciência para ouvir seu filho, então sua comunicação está desalinhada com suas intenções. Perceba também se você se mostra disponível, ou seja, se tem tempo para dialogar com seu filho. Esse primeiro passo é de AUTOPERCEPÇÃO. E ela é fundamental para você entender o que precisa fazer para se alinhar.

 

Passo 2: ouça. O passo dois é direto. Ouça se filho. Mas mesmo sendo direto, não quer dizer que seja uma prática fácil. Acredito que exigirá muito de você, mas pode ser uma experiência transformadora. Ouça não somente o que seu filho está dizendo, mas “ouça” percebendo suas emoções, seu humor. Assim você poderá participar mais de perto da vida do seu filho. Acolha suas emoções e comunique a ele suas percepções. Se desafie! Tire um dia dessa semana para praticar a escuta.

 

Passo 3: Incentive a cooperação e a autonomia do seu filho. Traga seu filho para mais perto da família, incentive que coopere para um lar mais harmonioso e equilibrado. Ajude-o a se sentir pertencente a casa. Isso se faz estimulando o desenvolvimento de responsabilidades com tarefas da casa, participando ativamente dos momentos familiares. E juntamente com essa estimulação vem a autonomia. Dê autonomia para seu filho, ajudando-o a tomar decisões, a pensar sobre suas ações. Esse passo auxilia na absorção de valores familiares e morais.

 

Passo 4: Libere seu filho de títulos e rótulos. Quem nunca se referir ao filho por meio de rótulos como: “você é bagunceiro” “ciumento” “você é mais educado que seu irmão” “terrível”. Esses são somente alguns exemplos dos muitos rótulos que podemos depositar em nossos filhos. Os rótulos fazem com que a criança passe a se enxergar a partir dessas características. Devemos nos atentar que a criança está em processo de formação da sua identidade, da auto imagem, então recebe muita influência do ambiente na compreensão de quem ela é – principalmente influência das relações mais significativas, como familiares por exemplo. Tirando esses rótulos da sua comunicação seu filho poderá enxergar-se em mais completude, entendendo todas as suas características, não focando apenas em algumas características estigmatizantes.

 

Passo 5: estimule a responsabilização e não a punição. Perceba sua comunicação quando seu filho faz algo que você considera errado. Geralmente a primeira medida dos pais é reprimir, brigar, castigar a criança. A punição comumente é aplicada em um momento onde os pais estão tomados por fortes emoções como a raiva por exemplo, e isso é transmitido para a criança. Lembre-se sempre da INTENÇÃO. Qual sua intenção? Punir seu filho somente ou ensinar a ele valores e conceitos morais? Imagino que na maior parte das vezes seja transmitir valores. Então saiba que transmitir valores é mais significativo no processo de educação do que a mera punição. Dialogue, ensine seu filho a perceber seu comportamento, a pensar estratégias para mudar, a responsabilizar-se e reparar seus erros; e isso se faz com uma comunicação alinhada.

 

Esses 5 passos certamente te ajudarão a estreitar os laços com a criança, a melhorar as formas de comunicação verbal e não verbal, a ter espaço para falar e a dar espaço para que ele fale também.

 

Patrícia Nascimento Silva

Psicóloga (CRP 06/109535), Mestre em Psicologia, Educadora Parental em Parentalidade Consciente, Mãe de duas princesas. Ajudo mães a desenvolverem uma maternagem mais segura e confiante, criando filhos fortes e emocionalmente inteligentes.

Instagram: @patriciasilva.psi

Contato: (11) 98444-6480

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